O Suicida Apaixonado (Repost)

Há alguns meses, adicionei este mesmo texto aqui, em inglês, e acho que muita gente não leu justamente por isso, então eu resolvi traduzi-lo e postar novamente. Eu tenho um carinho especial por este texto, afinal carrega muito de mim. Acho que é uma das minhas confissões mais sinceras, e sem dúvida a minha peça de literatura que chega mais perto da realidade. Escrito em Minnesota, em Janeiro de 2013.

O Suicida Apaixonado

Há alguns meses atrás, eu tinha a sorte de desfrutar da companhia de uma mulher linda, dona de uma beleza única, expressada a esmo, tanto em sua aparência quanto em suas atitudes, em cada sorriso dela, eu me via presente, me sentindo extremamente bem, única e simplesmente por lhe fazer bem. Nesse mesmo sorriso, eu podia ver tantas características que eu não tinha, tantas virtudes que não me descreviam. Traços até então nunca vistos em mim, que no entanto floresciam inatas nela. Atitudes, que apesar de minhas tentativas falhas, não se tornavam naturais em mim.  Eventualmente quando saíamos juntos, andávamos pelas estranhamente lindas ruas encardidas do centro histórico de Curitiba, a oscilação frequente entre frio e calor, faziam eu me sentir solidário ao clima, devido as pequenas lutas diárias que se travavam dentro de mim, e até hoje continuam existindo, me fazendo esquecer quem eu sou, me levando a pensar que poucos, ou até talvez ninguém realmente me conheça, nem mesmo eu mesmo. Em umas dessas eventuais saídas, ao cruzar uma via rápida do centro histórico de Curitiba simplesmente decidi dar um passo rumo ao acaso. Em um lapso de fé, decidi ignorar o fluxo, que impiedosamente consumia o asfalto quente, que se desfazia no horizonte. Então, apostando em uma loteria cujas probabilidades desmoronavam em minha inconsequência apaixonada,  deixei de olhar de os carros continuavam vindo, para cruzar as 4 faixas da pista. Arriscando tudo aquilo que eu deveria valorizar, confiei em seu julgamento. Dentre os muitos pensamentos que me consumiam de dentro para fora naquele momento, me ocorreu o seguinte: E se por acaso algum carro a atingisse, e eu em um reflexo involuntário escapasse? Qual seria o sentido dali em diante ? Qual seria a razão pra continuar respirando a partir daquele momento?  Então em um gesto tao impensado, me atirei em direção ao infinito. Tinha tanto a perder, tanta vida era jogada  a esmo. Um gesto perfeitamente sintetizado em um kamikaze que ama, um suicida apaixonado. Amordaçando todas aquelas ideias que me arrastavam de volta ao eixo, no meio da rua eu estava, segurando a sua mão. Por um momento a olhei nos olhos. Seus cabelos castanhos acenavam para mim,  o vento o convidava para dançar, e de forma alguma aceitaria um não como resposta. Trocava passos despreocupados, não precisava de mais nada. Meu mundo estava ali. Então, após aquela eternidade de poucos segundos, dei o primeiro passo na calçada. Acabara de alcançar o outro lado da avenida. Me senti vitorioso, me senti grande, afinal eu estava vivo, e ainda a tinha ao meu lado, acorrentado em seus dedos. Ao sorrir levemente, satisfeito comigo mesmo, pude notar que talvez a minha felicidade morasse na sensação de me doar a quem me faz feliz sem pensar nas consequências. Talvez eu seja feliz, talvez eu seja…

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