É…

Ultimamente eu tenho pensado a respeito dessa coisa de karma… Não sei porque alguns insistem em dizer que a vida se baseia em bons e maus momentos, sendo um a antítese do outro, como se não existisse cinza entre o branco e o preto. Do alto da minha ignorância, eu não enxergo a vida de ninguém se resumindo a isso. Do alto da minha ignorância, eu percebo que bons e maus momentos são orgânicos, nada mais que reflexos das suas atitudes, dos seus desejos e vontades, das suas perspectivas e
objetivos, das suas ações e reações. Essa tal de vida é pra você, o que você é pra ela e pros outros. Então pare por alguns momentos, e pense bem antes de vomitar nas redes sociais que a sua vida é uma merda. Será que você faz alguma coisa para sua vida ser boa ? Será que você semea uma semente hoje para colher uma vida melhor amanhã ? Ou apenas se queixa de que nada tá bom, e que nada dá certo ? Desejos muitos tem, atitudes poucos tomam. Boa semana a todos, e vem carnaval!

O Trem e Os Trigais.

Olá. Decidi fazer um update aqui no TCIC, já que estava com material pronto, só esperando pra ser digitado. O texto a seguir foi escrito em uma tarde vazia do dia 19/07/13, e editado hoje, dia 06/08/13. De algumas formas, essa história curta, descreve como eu estava me sentindo quando escrevi, metaforicamente, claro. Espero que gostem. Beijos do autor.

 Eu não tinha ideia de como seguir a partir dali. Sentado na cadeira do saguão do hospital Santa Maria, eu dissipava. Mesmo após receber a notícia de que eu estaria viúvo dali em diante, eu continuava ali. Não havia nada que eu pudesse, nem quisesse fazer. Mesmo com montanhas de papel a serem preenchidas para o escritório de contabilidade onde eu trabalhava, eu os ignorava, sabia que daria um jeito, como sempre fazia. O chaeiro de limpeza daquele necrotério de sonhos e planos, se cristalizou em minha memória, como uma lembrança mais que tangível. Um souvenir que eu não quisera, mas que eu carregaria até que de bolsos vazios. Observava o cenário e os personagens que me cercavam. No canto do saguão, próximo a recepção, uma enfermeira aparentemente desinteressada, lixava as unhas encostada no caixilho da porta que levava a um corredor. Uma dupla de garotas, visivelmente alcoolizadas, riam da própria desgraça, com um descaso único. Sofrer um acidente voltando da bohemia, seria mais uma história a ser contada em qualquer roda de amigos, como uma condecoração auto imposta por uma atitude inconsequente. Suas pernas cruzadas, inutilmente guarnecidas por saias mínimas, sugeriam o que suas limitações intelectuais, que assim como suas coxas, que insistiam em ostentar, confirmavam. No canto da sala, ao lado do bebedouro quase esgotado, sentava um senhor de aparência simplória. Aguardava como um profissional, como quem está habituado a isso, em um conformismo único. Se distraia estalando os dedos grossos de suas mãos calejadas, cujo som passava quase que despercebido, pelo menos para mim. Eu continuava a observar cada um deles, procurando existir na vida alheia, um velho hábito que me perseguia. Ora me distraia com meus sapatos recém engraxados, que devido aos recentes acontecimentos, já estava sujo de poeira e terra. Ora voltava a me entreter com aquele vazio mórbido que dominava o ambiente frígido da sala de espera daquele lugar. Nesse momento me peguei pensando. Sala de espera do que ? Pra mim era uma sala de espera para o fim do que acabara de começar, nisso alguns minutos se passaram, e logo decidi me levantar.

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Saindo do hospital, passando pelas portas de vidro com adesivos que se desgrudavam dele, provavelmente devido a ação do sol, caminhei até o meu carro, o que aconteceu mais rapidamente do que eu imaginara. Tudo parecia acontecer mais rápido naqueles momentos, por algum motivo que até hoje eu não sei qual é. Havia muita coisa acontecendo á minha volta. Ambulâncias saisam e entravam do corredor de emergência depressa. Há alguns passos de mim uma senhora de meia idade derrubava suas chaves, sofrendo para as recuperar. Eu era indiferente a tudo isso. Não que devesse me preocupar, mas minha natureza altruísta, em outras circunstâncias, me faria procurar ser útil. Entrei no carro. Não acreditava que estaria sozinho dali em diante. Seu perfume doce e vibrante ainda estava impregnado no banco de passageiro de estampa ultrapassada, já desbotada pelo uso. Talvez esse fosse a sinopse da minha vida em diante. Um banco vazio. Algo que me iludiria ao sentir seu perfume, o que me faria sorrir, mas ao mesmo tempo ter lágrimas engatilhadas, prontas para serem disparadas a esmo, pois sabia que ao olhar para o meu lado direito, viria o vazio. O mesmo que me consumia naquele momento. Ali fiquei. Revivendo todas as desventuras que aconteceram naquele infeliz dia de setembro. Dia que não cumpriu a promessa que o céu azul e iluminado me fizera de manhã. Acordara com cuidado, me esgueirando entre as evidencias do que acontecera na noite passada. Tomei banho e me vesti com o maior cuidado para não acordá-la. Antes de sair de casa, por alguns momentos, a observei dormir, havia tanta poesia naquele momento. A via tão frágil, tão desamparada, algo que era irreconhecível quando estava acordada, devido a sua personalidade forte, cuja constante certeza da própria certeza resumia bem. Dei um beijo em seus olhos, e fui trabalhar. Quem diria que seria a última vez que a veria.

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Era um dia tranquilo. Fingia estar trabalhando, com uma planilha aberta em meu computador, mas na verdade me concentrava mesmo no bloco de rascunhos, que rabiscava despreocupadamente. Ainda era manhã. A cada quinze minutos tomava uma caneca de café. Hábito que seguia religiosamente, desde que decidiminos morar juntos há um ano atrás. Seus hábitos considerados saudáveis, haviam mudado drasticamente meu estilo de vida. Havia trocado conhaque por café. Cigarros por balas de menta. Desenhava uma caricatura exagerada, de um rapaz careca que esperava para falar com o meu chefe no sofá no canto da sala, quando ouvi meu telefone celular tocar, quebrando o silêncio frio que tomava conta daquele típico escritório cinza do centro. Atendi, e logo ao dizer “alô”, pude perceber a voz de Jorge, com uma pitada de preocupação em seu tom. Me dizia que Juliana acabara de sofrer um acidente de carro. Decidi ir até o hospital, para ver do que realmente se tratava, mas não tive pressa, devido a marcante característica de meu cunhado de ser exagerado em suas reações. Terminei a caneca de café que já esfriava em cima de minha mesa, amassei a folha de papel que rabiscava e saí do escritório. No caminho juntei meu paletó do chão, que caira do cabideiro e o vesti, tirando a poeira que havia grudada nele. No caminho até a garagem, e depois até o hospital, planejava em mimá-la a noite para conpensar todo aquele estresse que ela estaria passando. Talvez a levasse para jantar, e depois ao teatro, ou apenas ficar em casa deitados em frente a televisão da sala, velando a semana que se esgotava. Várias ideias me ocorriam, eu estava feliz fazendo planos.
 Estacionei o carro a cerca de cem metros da entrada da sala de emergência, aproveitando uma vaga recém vaga. Desliguei o rádio, que contava a história de uma mulher traída em um tom característico do melodrama radiofônico do meio do dia. Entrei no hospital preocupado, mas consicente que apesar daquele imprevisto, tudo acabaria bem no fim do dia. No fundo da sala, pude vermeu cunhado amparando minha sogra em seu ombro, já encharcado por lágrimas. Neste momento, percebi que nada estava tão bem quanto eu imaginava. Minha sogra sempre havia sido uma mulher calada. Firme como uma rocha. Só havia visto lágrimas escorrendo de seus olhos, seis meses atrás, quando seu marido faleceu, mas mesmo assim, aquilo ainda não era um choro. As mesmas lágrimas de minha sogra, rolavam discretamente pela feição de pedra de Jorge, que eu nunca havia visto chorar. Tirei estas conclusões em poucos segundos, e então acelerei o passo em direção ao fim do corredor, onde estavam. A cada momento, o cheiro de morte daquele hospital me enchia os pulmões. Eu podia sentir o peso do ar em meus ombros. Antes mesmo que eu pudesse chegar perto, e perguntar o óbvio, Jorge fez um sinal, sugerindo um bebedouro no canto esquerdo do saguão. Logo enchi um copo descartável com água, e mais que prontamente o entreguei a minha sogra, que o recebeu com suas mãos trêmulas e enrugadas, derrubando alguma água no piso branco no qual pisávamos. Aquilo era a perfeita representação do desespero que a consumia. Que os consumia. Que logo nos consumiria. Antes que pudesse fazer qualquer pergunta, ouvi nas palavras secas e ásperas de Jorge, a triste realidade da situação. No caminho para a casa de sua mãe, onde almoçava em seus dias de folga, por um motivo desconhecido perdera o controle do carro, derrapando na pista, e caindo em um barranco ao lado da pista. Se encontrava no CTI, aguardando cirurgia, perdera muito sangue. A narrativa macabra que preenchiam aquelas terríveis lacunas em minha mente, foi interrompida por um enfermeiro de aparência impecável, que nos convidava a sala do Doutor de plantão que nos aguardava. Caminhamos rapidamente até lá, nossos passos largos e rápidos resumiam o desespero que tomava conta. Ao abrir a porta, já desmoronando, pude ver um garoto sentado atrás de uma mesa branca, coberta por fichas e prontuários. Muito polido, nos ofereceu as cadeiras que faziam um arco em frente a sua mesa. Sentei e aguardei. Se fez um silêncio por um momento, então se apresentou como Doutor Ferreira. Explicou o resto da história que Jorge havia começado a me contar, mas com detalhes técnicos que amplificavam o horror daquilo tudo. Com sua voz de veludo, nos preparou para o que estava por vir. O acidente havia sido fatal. Mesmo sendo socorrida prontamente pela equipe de emergência que fortuitamente voltava de uma chamada de trote, não havia resistido. O choque tomou conta de mim, de nós, do ambiente todo. De fato não duvido que o mundo tenha parado de girar por alguns instantes. Logo após dar a terrível notícia que desabara em nossas vidas, o mesmo enfermeiro que havia nos levado até a sala, ressurgiu em uma porta do outro lado da sala, que dava no corredor da emergência. Dizia que um paciente havia dado entrada no hospital em estado crítico, e a presença do médico era necessária. Antes de deixar a sala, tentou nos tranquilizar, usando palavras macias. Nos despedimos e agora, não mais carregando a esperança que sugeria um arco íris após a tempestade, deixamos a sala, e seguimos para o estacionamento. Esperei-os ir embora, e saí desesperadamente em busca de algum fumante que pudesse saciar meu desejo por tranquilidade. Improvisar um olho de furacão era o que eu precisava. Assim o fiz. Não foi difícil encontrar uma senhora fumando na área de serviço, em uma construção anexa ao prédio principal do hospital. Seu uniforme desbotado a caracterizava como uma funcionária da limpeza. Meu pedido por um cigarro fora atendido com um certo remorso, contido em um murmurio rouco. Aquele cigarro barato, contrabandeado do Paraguai, que outrora despertaria meu mais profundo asco, bronzeava meus pulmões como como o mais fino dos charutos importados. Após queimar meus lábios secos fumando o filtro, desejando prolongar aquele precioso momento de prazer, flutuei até a sala de espera, e lá fiquei.

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 Uma pomba cortando o horizonte me trouxe novamente até o banco do meu carro, rasgando meu raciocínio. Nesse momento decidi sair dali. Liguei o carro, e em uma manobra só, saí daquela vaga apertada, que mal cabia um carro médio. Decidi ir até nossa casa, e tentar dormir um pouco, como se isso fosse aliviar a minha dor, que nesse momento, já podia sentir me devorar de dentro para fora. Cada músculo do meu corpo doía. Câibras dificultavam o trajeto, era difícil alcançar o pedal da embreagem, a cada troca de marcha me sentia mais fraco. Por alguma razão, mudei meu trajeto. Decidi tomar o caminho mais curto, mesmo tendo que trilhar algumas estradas de chão batido, entre o centro e o subúrbio. Vi os edifícios no horizonte se misturarem a casas, e então casas se misturarem a plantas, e por fim me ver cercado por nada além das plantações de trigo que dançavam junto ao vento, reverenciando qualquer que seja a força que a rege. Ao longe pude ver o trilho do trem, que diariamente levava do interior ao porto, grãos para exportação, passando pelos arredores da capital. Ao longe eu já podia escutar o trem se aproximando. O ranger impiedoso dos trilhos crescia conforme eu me aproximava, e se misturava, com o singelo assoviar da brisa que cortava formas descartáveis nos trigais. O trem se aproximava, assim como eu. Conforme ia me aproximando dos trilhos, ia desacelerando o carro, ao contrário do trem, que parecia cada vez mais veloz ao se aproximar. Nesse momento tudo parecia fazer sentido.

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Minha percepção afetada pelos recentes acontecimentos me deixava embriagado em um sentimento de dissipação. Eu me sentia derretendo no banco do carro, me via me misturando ao aroma do perfume de Juliana que com a ação do sol, enchia o veículo todo. Com os vidros fechados, eu me encontrava em uma estufa as avessas. Um lugar onde ao invés de haver cultivo e crescimento, havia a morte, o declive. A cada momento me aproximava mais do trilho, com meus pulmões cheios de lembranças que pareciam se misturar as impurezas do tabaco que naquele momento me causava palpitações. Quase que parando, começaca a cruzar o trilho. Em um lapso de realidade, deixei o carro morrer. Ali fiquei por alguns momentos. Eu estava pronto para seguir em frente. Via a locomotiva se aproximando mais e mais a cada momento. A brisava virava vento, os trigais acenavam frenéticamente. O trem se aproximava. Fechei os olhos. Abracei tudo que eu tinha. Esperei encontrá-la logo, e de olhos fechados, estava pronto para o começo de um novo final.

O Suicida Apaixonado (Repost)

Há alguns meses, adicionei este mesmo texto aqui, em inglês, e acho que muita gente não leu justamente por isso, então eu resolvi traduzi-lo e postar novamente. Eu tenho um carinho especial por este texto, afinal carrega muito de mim. Acho que é uma das minhas confissões mais sinceras, e sem dúvida a minha peça de literatura que chega mais perto da realidade. Escrito em Minnesota, em Janeiro de 2013.

O Suicida Apaixonado

Há alguns meses atrás, eu tinha a sorte de desfrutar da companhia de uma mulher linda, dona de uma beleza única, expressada a esmo, tanto em sua aparência quanto em suas atitudes, em cada sorriso dela, eu me via presente, me sentindo extremamente bem, única e simplesmente por lhe fazer bem. Nesse mesmo sorriso, eu podia ver tantas características que eu não tinha, tantas virtudes que não me descreviam. Traços até então nunca vistos em mim, que no entanto floresciam inatas nela. Atitudes, que apesar de minhas tentativas falhas, não se tornavam naturais em mim.  Eventualmente quando saíamos juntos, andávamos pelas estranhamente lindas ruas encardidas do centro histórico de Curitiba, a oscilação frequente entre frio e calor, faziam eu me sentir solidário ao clima, devido as pequenas lutas diárias que se travavam dentro de mim, e até hoje continuam existindo, me fazendo esquecer quem eu sou, me levando a pensar que poucos, ou até talvez ninguém realmente me conheça, nem mesmo eu mesmo. Em umas dessas eventuais saídas, ao cruzar uma via rápida do centro histórico de Curitiba simplesmente decidi dar um passo rumo ao acaso. Em um lapso de fé, decidi ignorar o fluxo, que impiedosamente consumia o asfalto quente, que se desfazia no horizonte. Então, apostando em uma loteria cujas probabilidades desmoronavam em minha inconsequência apaixonada,  deixei de olhar de os carros continuavam vindo, para cruzar as 4 faixas da pista. Arriscando tudo aquilo que eu deveria valorizar, confiei em seu julgamento. Dentre os muitos pensamentos que me consumiam de dentro para fora naquele momento, me ocorreu o seguinte: E se por acaso algum carro a atingisse, e eu em um reflexo involuntário escapasse? Qual seria o sentido dali em diante ? Qual seria a razão pra continuar respirando a partir daquele momento?  Então em um gesto tao impensado, me atirei em direção ao infinito. Tinha tanto a perder, tanta vida era jogada  a esmo. Um gesto perfeitamente sintetizado em um kamikaze que ama, um suicida apaixonado. Amordaçando todas aquelas ideias que me arrastavam de volta ao eixo, no meio da rua eu estava, segurando a sua mão. Por um momento a olhei nos olhos. Seus cabelos castanhos acenavam para mim,  o vento o convidava para dançar, e de forma alguma aceitaria um não como resposta. Trocava passos despreocupados, não precisava de mais nada. Meu mundo estava ali. Então, após aquela eternidade de poucos segundos, dei o primeiro passo na calçada. Acabara de alcançar o outro lado da avenida. Me senti vitorioso, me senti grande, afinal eu estava vivo, e ainda a tinha ao meu lado, acorrentado em seus dedos. Ao sorrir levemente, satisfeito comigo mesmo, pude notar que talvez a minha felicidade morasse na sensação de me doar a quem me faz feliz sem pensar nas consequências. Talvez eu seja feliz, talvez eu seja…

Mais uma vez, escapei.

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Sua cabeça repousava gentilmente em meu ombro. Não havia mais ninguém naquela sala de cinema. Mesmo quinze minutos após os créditos rolarem, e toda aquela massa de qualqueres deixar-nos a sós, em um gesto de gentileza involuntária, continuamos ali. Como se aquele blockbuster babaca fosse durar para sempre. Quem dera. O silêncio me invadia. Não havia nada que eu pudesse dizer que servisse de escora, diante do mundo que desabava em nossas cabeças. Uma gravidez indesejada, no auge de nossas adolescências. Por algum motivo eu já havia desistido da ideia de contar aos meus pais, e pedir ajuda, que jamais seria negada. A discussão de dois dias atrás sobre, ainda ecoava no vazio de nossas atitudes, aquele eco não me distraía. Ignorávamos nossos problemas, coisa que ambos frequentemente faziamos ao nos encontrarmos em situações complicadas. Quem dera ser tão simples, quem dera. O cheiro único de manteiga derretida impregnada nas poltronas de veludo, ia se tornando menos perceptível a cada minuto que se passava. Minutos que pareciam horas. A cada pensamento inacabado que me ocorria, aqueles infinitas eternidades de sessenta segundos, pareciam se tornar mais insuportáveis. Cansado de colecionar tentativas falhas tornar o breu menos escuro, vomitei palavras:
“Tem que resolver isso aí”
“Resolver como ? Você tá louco” – Ela questionava.
“Você sabe… Isso… Agora… Não pode ser bom.”
Uma lágrima escorria do seu olho esquerdo, carregado em maquiagem, aquele pedacinho de mar, rasgava um traço preto em seu rosto.
“Não! Não! Não!” – Cochichava, como quem tenta se convencer de algo.
“Andrea, você sabe que é o único jeito. Nós não temos vontade, meios, ou estrutura.”
“Eu não sei… A vida não presta” – Ela suspirava.
 Sua cabeça começava a pesar em meu ombro já molhado, fazendo-o formigar

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Mal eu sabia que essa seria a última vez, que eu a veria se queixar da realidade, como quem está nessa vida de passagem, rumando algum lugar melhor. Saímos caminhando da sala de cinema arrastando-nos. Mesmo tentando manter minha postura, era impossível. Não havia como sustentá-la. O peso das consequencias catalizava o colapso que me consumia. O peso da vida adulta massacrava a minha estrutura de criança, que em traços sutis, poucos enxergavam. Era tão simples mimetizar insegurança com etiquetas. Não era isso que eu gostaria de mostrar, no entanto era aquilo que meus iguais gostavam de ver. A mercadoria se adaptava ao mercado. A cada segundo de silêncio, eu sentia o abismo entre nós se alargando. E por alargar, me refiro ao crescimento de algo que sempre esteve lá. O contato físico e o carinho trocado era quase como um favor que fazíamos um ao outro. Sim, haviam sentimentos, mas era algo muito pequeno, embebedado por um coquetel de hormônios, carência, e frequentemente, álcool. Ambos velávamos um vazio qur parecia prometer se completar algum dia. Eramos colecionadores de decepções, curadores do nada.

Como de costume, a acompanhava até seu ponto de ônibus. Já havia desistido de tentar resolver aquela situação ali. Mais uma vez protelava o que não devia. A esse ponto eu tinha certeza que nao seria a solução. Velhos hábitos não mudam. Chegávamos a metade do caminho de seis quadras. O silêncio nos consumia. Nesse ponto já não mais olhava para ela. Me sentia desconfortável. No momento não percebi, mas tenho certeza que ela não olhava para mim também. Seus passos ligeiros rasgavam a calçada já destruída. Mesmo sendo um dia tão negro, o sol com poucas nuvens sorria pra mim.Talvez eu fosse o único de nós dois a perceber isso. Talvez eu fosse o único naquele bairro todo que prestava atenção em algo além da sensação de correria que cerca o centro. Cruzávamos uma avenida, eu ainda divagava com a ideia irônica que o tempo úmido trazia. Tomei ar, pensando em fazer qualquer comentário descartável que estreitasse a distância entre nós. O som estridente de uma buzina rasgou o típico burburinho daquela multidão que esperava para cruzar a faixa de pedestres. Em um reflexo me virei, e me mantive estático por pouquíssimo tempo. Tempo curto, mas suficiente para a ver sorrindo em meio a tinta de lágrimas e maquiagem que já pintava o seu rosto. Assim que meus sentidos embaralhados, tiveram um lapso de sobriedade. Pude então perceber o que acontecia. Embora quisesse acreditar, que minha percepção, como parte de mim, também fosse fã de iludir como passatempo. Não. O peso do momento não me deixava iludir. Em uma das primeiras vezes em que me deparei com algo inadiável, vi aquele ônibus lotado levá-la. Assim como eu havia feito inúmeras vezes, aquele monstro amarelo de seis rodas a vestia. Não Reagi. Assim que o fluxo cessou, devido a notícia do que acabara de acontecer, eu continuei estático. Não havia mais nada que eu pudesse fazer. Ela já não estava mais lá. Eles já não estavam mais lá. Eu já a amava o suficiente para virar as costas e continuar andando. Mesmo que com uma estabilidade psicológica Joanina, assim o fiz. Enfim, o problema estava resolvido.

To be sincere…

The following reflection was written originally in Portuguese, in October 26th. Translation may contain flaws.

To be sincere, I can’t define what I feel. It is a lack that completes me. An emptiness that make me who I am. Usually when I touch it, talking to someone who juges himself more mature than me, only and exclusively for being older, I get the same answer. They tell meI am too young to think about it. That I should enjoy my teenage. I disagree. Maybe this reason, assumed in a so prepotent way, by people whose knees were already bent, and whose dreams were already crushed by the weight of responsibility, may be the only option facing the absence of the sensbility oasis, natural to innocence. Maybe that innocence is natural to all of us, and with time passing, are gradually put aside, at the same time our insecurities eat us alive form inside out. With that said, it’s not hard to notice, that the decisions that once seemed so simple, suddenly become that feared monster gazing at us from under the bed a few years ago. All of this makes me believe that I shouldn’t feel ashamed of missing this so untangible feeling, which I believe, I never got even close to feeling. So, yes! I feel proud of culting this provisional lonely love, spreading smiles haphazard, coloring this eternal ashes wednesday¹ that we so banally call life.

¹Ashes Wednesday: The last day of Carnaval in Brazil, usually resembling regret, shame, hangovers, and the prospection of a cloudy tomorrow.

A point of view on bragging.

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These days, a friend of mine, told me that I should write about bragging. It would be indelicate to talk about people in general, to say the least, so I decided to talk about myself. Sincerely I can’t remember one time that I had  as much difficulty to write something as I had this time. Usually I  just let my thoughts flow and it doesn’t ends up that bad, but after a  long time thinking about it, I realized that it would take way more of me than I tought.
 
 Maybe  because all of my skills are fairly ok, nothing exceptional. I can play  the guitar, but I can’t read music sheets. I can write poems, but I  always sound like a whining widow. I can get good grades in classes that  demand my creativity, but not in the ones that require my full attention.
 
  Maybe the reason for that just happens to be the way I see things, the  way that life shaped me through the experiences that laid in my way, the  stones that laid down in my path, while I was distracted staring at the  horizon. During a time where I bloomed, facing the spring of a lifetime, where pebbles were much more relevant than stones.
 
 Maybe I should regret being like that, and chase a new beginning, having the experiences judged adequate for a young man, it could be the solution to be shaped in the way that my mom always dreamed of. Have a wife, a couple kids, and a two-story house, with three bedrooms. A diploma on the wall, a job that makes me a teardrop in  a stream of conformism. Waste all my health to make money, retiring,  and spending all my money to regain my health. Enjoy the fake taste of  canned food while staring at the label, being sure that the good part is  to come at some point. Build a castle made of sand that as once a wise African American man sang, would eventually slip into the sea. I think that’s not the meaning of happiness, at least not for me. 
 

A Passionate Suicidal

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A few months ago, when I still lived in Brazil, eventually I hung out with a woman which had an impairing kind of beauty, as much on her actions, ideas, and attitudes, as she did on her appearance. In each one of her smiles, I saw myself present, feeling extremely well, just by making she feel well. In these simple, gentle smiles, I saw things that I saw so much things that I lacked, things never seen on me, the same things that naturally flourished on her.
Eventually, when we went out, we walked by the Historical buildings of my home town, Curitiba. The awkwardly gorgeous decadence surrounded us. The frequent oscillation between sunny days, and cloudy nights, made me feel fond to the weather, due to the tiny little struggles that happen daily in my mind. These conflicts make me less certain of who I am, and consider the possibility that no one really knows me, not even myself.
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In one of these times we were together, during rush hour after leaving school, when crossing a six-lane avenue close to one of my favorite places to hang out during the weekends, I held her hand, and simply decided to ignore the ruthless flow of vehicles that consumed the asphalt, I abdicated the use of the most primitive instinct, of staring at the fangs of the predator, and caculating the easiest way out. I trusted her judgement. What if one of the many buses coming happened to hit her ? And what if I, in a involuntary reflex, happened to avoid it, what would be the point of carrying it on from then on ? What would be my reason to keep on breathing from that moment ? In an so untoughtful gesture, I poured my fate into the hands of Lady Luck. So much to lose, so much life hanging over the edge of relief and tears, uncertain of which way to go. An action as passionate as the life outcome of a kamikaze hero. An atittude of a suicide stung by the cupid’s poison.

That few seconds stretched themselves longer than I wished. The typical breeze of late autumn invited her hair to dance, and it would not take a no as an answer. Reaching the other side of the street, I felt great, victorious. After all I was still alive, and still had her by my side. Maybe happiness for me lives in the feeling of donating myself to the ones I love without measuring consequences. I miss that feeling, I truely do.

Moscow On The Hill

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During last friday in St. Paul we had a pretty typical day in Minnesota, windy and sunny day, followed by a cloudy evening. As typical as that day was the recurrent question that comes with dusk every friday night: What to do to make this weekend worth the hard week that just passed by us ? This time the doubt did not last long. After hanging out in the commons of SPP for enough time to the urge of eating become actually hunger, me and a few friends headed to the Russian Restaurant, Moscow On The Hill, located in Selby Avenue, a few minutes away from our beloved school.

Getting of the bus and immeadiately facing the facade seen previously on the internet, I had the impression that the place was more of a bar than an actual restaurant. Impression proved wrong as soon as I stepped into the red handmade rug which laid right after the door. A middle aged woman said hello to us, and more than immediately noticed that the ones that came with me were russians, so started to speak a very native-sounding russian language, fact brought to my attention by a posterior comment of one of my mates. This lady had a constant smile on her countenance, altough in no moment it seemed something unnatural. She led us to a table and after talking to my friends for a while, called a waiter to get our orders.

The first order, was common to all of the people who sitted on the table. We ordered Borsch, (in Russian борщ) a type of soup of Ukranian origin, but widely spread troughout Eastern Europe. And as a side order, Piroshki, (in russian пирожок) a baked soft bun, thatn can contain a wide range of fillings, in this case, lamb, seasoned with onions and different types of herbs native from Europe, but grown in America specially for the cooking in Moscow On The Hill.  For a few minutes a pleasant chat took place, remembering individual aspects of European Culture, that became the topic due to the unique decoration and ornamentation of the ambient. Including landmarks as the Red Square and the Kremlin.

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As expected, the waiter brought us our orders, carrying in a malabaristic motion 8 plates and a basket of bread. We were served and started enjoying the meal. At the first taste, my Brazilian paladar juged the taste as “unusual” to say the least, but after a minuncious analysis of how those new ingredients mixed, behaved while I chewed, I had a pleasant surprise. I was enjoying as said my fellow “Comrades”, true Russian food, really liking it. The Borsch was bodied and consistent, but at the same time smooth and soft, sided by the Piroshki, which had a crunchy crust, with an amazingly soft lamb filling. Really impressive.

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After the meal was ended, and the bill payed (U$ 18) a few more minutes of unintelligible Russian talk for me, went trough. Altough the meal was finished and I walked out out of the restaurant, I still could feel the good taste in my mouth. I left the place satisfied, happy by having this new experience, with a smile on my face, and one more good memory made in Minnesota.

RATING:
Ambient: 💎💎💎💎
Food Quality:💎💎💎💎💎
Neatness:💎💎💎
Price:💎💎💎
OVERALL:💎💎💎💎